Posterous theme by Cory Watilo

Andre Rezende

Andre Rezende

André Novaes de Rezende possui graduação em ARTES VISUAIS - LIC E BACH pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas (2003) e mestrado em EDUCAÇÃO, ARTE E HISTÓRIA DA CULTURA pela Universidade Presbiteriana Mackenzie (2006). Está cursando o doutorado em Artes Visuais na Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), na área de Fundamentos Teóricos da Arte. É professor do curso de Design da FACAMP.

Tem experiência na área de Artes, com ênfase em Artes Visuais, atuando principalmente nos seguintes temas: design gráfico e música.

O Coelhinho da páscoa me trouxe... anamorfose!

Hoje, Páscoa, saímos para passear. A grande motivação foi um dia ensolarado e também a primeira vez que foi possível sair de casa apenas de camiseta. Aproveitamos para fazer algumas fotos da cidade com sol. Sabendo que a luz estaria boa, eu fiz questão de fotografar uma das coisas mais bacanas que vi por aqui.

Trata-se de uma instalação urbana focada em uma anamorfose. A artista é Felice Varini - http://www.varini.org/

O bacana é que não se trata apenas da instalação. Está sendo realizado um projeto de filmes em curta-metragem, cuja proposta é de interagir com a instalação da artista.

Trata-se deste web-site: http://sitescameraaction.info/

Pela descrição do projeto, os filmes devem “interact with or relate to Felice Varini’s public art installation, Square with four circles, in Temple Plaza, downtown New Haven”.

Bom, a coisa toda é tão legal que fiz questão de escrever este post aqui, em meu blog sobre design, apenas para poder compartilhar as fotos com vocês.

Enjoy!

New York City e New Jersey

Depois de um certo tempo sem atualizar meus relatos, gostaria de escrever um pouco sobre os resultados de minha viagem para New York City e New Jersey.

Certamente, além de belos passeios e de prazerosos ensaios de primavera, esta viagem trouxe diversas informações valiosas para minha pesquisa.

Em relação à pesquisa, a primeira coisa que fiz em NYC foi visitar os arquivos de Joseph Binder no Smithsonian Institution Archives. Lá, encontrei coisas muito interessantes como uma carta de Alex Steinweiss, escrita para Binder (1941), onde Steinweiss agradece Binder pela gentileza e inspiração que motivaram seu sucesso enquanto diretor de arte da Columbia Records. Lá também encontrei a transcrição original de uma das primeiras aulas que Joseph Binder deu nos Estados Unidos, ao vir de Viena, na Austria.

Ao sair de lá, passei na frente do local onde Joseph Binder morava em NYC. Número 100 da Central Park South. Um apartamentinho humilde, de frente para o Central Park.

O interessante aqui, comparando com a formação acadêmica do próprio Steinweiss, é a visão holística que os educadores (e profissionais) da época tinham sobre o que é design gráfico.

Naquela época, entre entre 1920 e 1930, os cursos de design gráfico na Europa e os que começavam a surgir nos EUA englobavam caligrafia, pintura, desenho, escultura, gravura, etc... O estudante passeava por uma fronteira nebulosa entre arte em si e arte aplicada. Isso passa a ser revisto com os preceitos estéticos e funcionais do modernismo. A consequência é a mudança daquilo que passa ou não a ser considerado design gráfico, isolando atividades como a ilustração para fora do escopo da prática projetual. 

No dia seguinte, visitei a Society of Illustrators. Eu planejava obter mais informações sobre o ilustrador Boris Artzybasheff que, em teoria, influenciou o trabalho de Alex Steinweiss. Eles não tinham nenhuma informação sobre este ilustrador. Em contrapartida, acabei apreciando uma excelente exposição sobre o cartunista R. Crumb.

Na quarta-feira, por conta de um “jeitinho Brasileiro”, consegui acesso à uma área restrita da biblioteca de acervo e pesquisa do MoMA. Lá tive acesso aos catálogos de todas as exposições do MoMA, desde sua abertura até os dias de hoje. Me ative aos catálogos da década de 1930, pois este é o período em que Alex Steinweiss estava na Abraham Lincoln High School, em Coney Island. É dado que seu professor de design, Leon Friend, enviava os alunos para o MoMA para que tivessem contato com o que havia de mais recente no campo da arte moderna. Um dado interessante é que apenas em 1936, o MoMA organiza uma exposição exclusiva sobre cartazes (uma arte da reprodução), exibindo 26 cartazes de A.M. Cassandre. 

No dia seguinte, viajei de trem para New Jersey e visitei o Institute of Jazz Studies, em Newark. Fui muito bem recebido pelos responsáveis pelo instituto, e permitiram que eu tivesse livre acesso ao acervo de discos de 78 rpm. Eu pude ver, fotogravar e comparar muitas capas de disco projetadas por Alex Steinweiss e avaliar como seu estilo se desenvolve ao passar dos anos. Também pude comparar em que grau ocorrem mudanças no estilo das capas, uma vez que outros artistas gráficos são contratados para dividir o trabalho com Steinweiss após o período em que ele se torna freelancer.  

Meu paradeiro final foi o MoMA-Queens, onde eu pude consultar arquivos sobre Lucian Bernhard e, especialmente, Boris Artzybasheff. 

Bernhard foi um dos primeiros designers Europeus cujo trabalho na área de design gráfico realmente proporcionou uma mudança na “educação gráfica moderna” para os profissionais dos os Estados Unidos. 

Já Boris Artzybasheff, além de ter sido uma influência para Alex Steinweiss (como foi dito antes), foi capista da revista Times. Artzybasheff trabalhava com ilustrações que criavam situações metafóricas, muitas vezes por meio da humanização de elementos sígnicos típicos da indústria. 

O próximo passo será uma viagem para Washington D.C., onde farei parte de minha pesquisa na Biblioteca do Congresso (atualmente, a maior biblioteca do mundo). Espero que eu consiga organizar bem meu tempo e canalizar o trabalho com um método bem produtivo.

 

Hoje tive uma das primeiras alegrias, proporcionadas pela chance de estar aqui nos EUA.

Explico....

Quando comprei o livro Alex Steinweiss, The Inventor of the Modern Album Cover (Taschen)* o que mais me chamou a atenção foi o capítulo que fala sobre o processo de criação e sua conexão com a produção das capas de disco (estas, como disse antes, eram impressas pelo processo de impressão tipográfica - letterpress).

Neste capítulo, a capa para o álbum Firebird (composição de Igor Stravinsky), é usada como exemplo. Existem breves explicações e imagens do processo em três estágios - o rascunho, a imagem final preparada para a fotogravura, as provas de impressão de cada cor e, finalmente, o resultado final impresso por letterpress.

Tive a intuição de que estas provas de impressão poderiam ser aproveitadas para gerar clichês tipográficos semelhantes aos originais. Uma vez que os clichês pudessem ser reproduzidos, haveria a possibildade de simular a re-impressão do álbum Firebird.

O resultado foi bem satisfatório e todo o processo da impressão em si foi documentado por este vídeo que eu disponibilizei no YouTube:

Bom, voltando à alegria que tive hoje:

Consegui no eBay uma cópia original do álbum Firebird, de Igor Stravinsky, com a capa de Alex Steinweiss. Agora posso ter uma referência de cor (e de escala!) a partir do original e poder confirmar certas hipóteses.

Gostaria também de deixar registradas aqui algumas fotos, para ilustrar o post.

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http://www.taschen.com/pages/en/catalogue/design/all/05039/facts.alex_steinwe...

 

Encontrando o objeto de estudo por aí....

Capa_steinweiss_nh

Em uma de minhas andanças por New Haven, estive procurando móveis usados para meu apartamento.

Entrei em uma interessantíssima loja do Salvation Army (Exército da Salvação).
Lá havia roupas, alguns móveis (mas nenhum que servisse para mim), objetos do lar... tudo muito barato.

Na lateral esquerda da loja estava uma estante de discos usados.
Lá vou eu fuçar e logo encontro um album de 78rpm com uma das capas de Alex Steinweiss.

Para quem está acompanhando estas postagens mas nunca conversou comigo sobre o assunto de minha pesquisa, aqui vai uma breve explicação:
Em 1939, Alex Steinweiss foi o primeiro designer gráfico a estabelecer paradigmas para criação e produção de imagens para capas de disco. Steinweiss trabalhou para a gravadora Columbia Records, nos Estados Unidos, de 1938 até 1954.

Estou estudando o período entre 1939 e 1948. A partir de 1948, com a introdução dos LPs e o desenvolvimento da indústria gráfica, muitas capas de disco passam a apresentar imagens de origem fotográfica. Portanto, não necessariamente as capas seriam concebidas e produzidas inteiramente pela mesma pessoa - neste caso, o próprio Alex Steinweiss.

Outro ponto importante é que todas as capas produzidas pela Columbia Records até 1950 eram impressas pelo processo tipográfico. A separação de cores era feita por fotogravura. Clichês de zinco eram gravados com as respectivas imagens em relevo. A impressão das cores ocorria por uma sobreposição de camadas uniformes de cor sólida, e não pela articulação de retículas de pontos - tal como ocorre na impressão Offset. O resultado é uma superfície de impressão, relativamente generosa, coberta com cores vibrantes e atrativas.

A capa em questão data de 1947.

Vamos ver o que mais eu encontro pelo caminho...

Primeiro post de New Haven - a pesquisa teve seu início da melhor forma possível.

19/03/2011

Hoje a pesquisa teve seu início da melhor forma possível.

Almoçei com minha orientadora, Professor Sheila Levrant de Bretteville.

Medalhista da AIGA e director of graduate studies in graphic design da Universidade de YALE, ela foi aluna de Leon Friend - um dos maiores professores da história do design gráfico.

http://www.aiga.org/content.cfm/medalist-sheilalevrantdebretteville

Nos apresentamos em meio a queijos e vinhos, o que favoreceu a sensação mutua de que o trabalho que está por vir será muito interessante e agradável.

Posterous

...estou iniciando uma página no Posterous para poder compartilhar relatos e descobertas durante a viagem que farei aos EUA em busca de respostas para certas questões na área de design gráfico. Quem quiser acompanhar, está convidado.