Depois de um certo tempo sem atualizar meus relatos, gostaria de escrever um pouco sobre os resultados de minha viagem para New York City e New Jersey.
Certamente, além de belos passeios e de prazerosos ensaios de primavera, esta viagem trouxe diversas informações valiosas para minha pesquisa.
Em relação à pesquisa, a primeira coisa que fiz em NYC foi visitar os arquivos de Joseph Binder no Smithsonian Institution Archives. Lá, encontrei coisas muito interessantes como uma carta de Alex Steinweiss, escrita para Binder (1941), onde Steinweiss agradece Binder pela gentileza e inspiração que motivaram seu sucesso enquanto diretor de arte da Columbia Records. Lá também encontrei a transcrição original de uma das primeiras aulas que Joseph Binder deu nos Estados Unidos, ao vir de Viena, na Austria.
Ao sair de lá, passei na frente do local onde Joseph Binder morava em NYC. Número 100 da Central Park South. Um apartamentinho humilde, de frente para o Central Park.
O interessante aqui, comparando com a formação acadêmica do próprio Steinweiss, é a visão holística que os educadores (e profissionais) da época tinham sobre o que é design gráfico.
Naquela época, entre entre 1920 e 1930, os cursos de design gráfico na Europa e os que começavam a surgir nos EUA englobavam caligrafia, pintura, desenho, escultura, gravura, etc... O estudante passeava por uma fronteira nebulosa entre arte em si e arte aplicada. Isso passa a ser revisto com os preceitos estéticos e funcionais do modernismo. A consequência é a mudança daquilo que passa ou não a ser considerado design gráfico, isolando atividades como a ilustração para fora do escopo da prática projetual.
No dia seguinte, visitei a Society of Illustrators. Eu planejava obter mais informações sobre o ilustrador Boris Artzybasheff que, em teoria, influenciou o trabalho de Alex Steinweiss. Eles não tinham nenhuma informação sobre este ilustrador. Em contrapartida, acabei apreciando uma excelente exposição sobre o cartunista R. Crumb.
Na quarta-feira, por conta de um “jeitinho Brasileiro”, consegui acesso à uma área restrita da biblioteca de acervo e pesquisa do MoMA. Lá tive acesso aos catálogos de todas as exposições do MoMA, desde sua abertura até os dias de hoje. Me ative aos catálogos da década de 1930, pois este é o período em que Alex Steinweiss estava na Abraham Lincoln High School, em Coney Island. É dado que seu professor de design, Leon Friend, enviava os alunos para o MoMA para que tivessem contato com o que havia de mais recente no campo da arte moderna. Um dado interessante é que apenas em 1936, o MoMA organiza uma exposição exclusiva sobre cartazes (uma arte da reprodução), exibindo 26 cartazes de A.M. Cassandre.
No dia seguinte, viajei de trem para New Jersey e visitei o Institute of Jazz Studies, em Newark. Fui muito bem recebido pelos responsáveis pelo instituto, e permitiram que eu tivesse livre acesso ao acervo de discos de 78 rpm. Eu pude ver, fotogravar e comparar muitas capas de disco projetadas por Alex Steinweiss e avaliar como seu estilo se desenvolve ao passar dos anos. Também pude comparar em que grau ocorrem mudanças no estilo das capas, uma vez que outros artistas gráficos são contratados para dividir o trabalho com Steinweiss após o período em que ele se torna freelancer.
Meu paradeiro final foi o MoMA-Queens, onde eu pude consultar arquivos sobre Lucian Bernhard e, especialmente, Boris Artzybasheff.
Bernhard foi um dos primeiros designers Europeus cujo trabalho na área de design gráfico realmente proporcionou uma mudança na “educação gráfica moderna” para os profissionais dos os Estados Unidos.
Já Boris Artzybasheff, além de ter sido uma influência para Alex Steinweiss (como foi dito antes), foi capista da revista Times. Artzybasheff trabalhava com ilustrações que criavam situações metafóricas, muitas vezes por meio da humanização de elementos sígnicos típicos da indústria.
O próximo passo será uma viagem para Washington D.C., onde farei parte de minha pesquisa na Biblioteca do Congresso (atualmente, a maior biblioteca do mundo). Espero que eu consiga organizar bem meu tempo e canalizar o trabalho com um método bem produtivo.